Com o tempo a gente aprende que atenção, carinho e blush tem que ser na medida certa. Se não, a gente acaba de palhaça.
— Tati Bernardi
Cansei dessa coisa de “engole o choro e finge que não doeu”. Doeu sim porra, doeu, ainda dói e creio que vai continuar doendo por um tempo. Vai doer a cada indireta que não for para mim, ou a cada vez que chamar outro alguém de “amor”, “bebê”, “pequena”. Parece que você sem se toca, nem nota que tudo isso me afeta, e muito. Eu não sou feita de ferro e infelizmente não tenho sangue frio para olhar pra isso tudo e “fingir que não doeu”. Talvez você não saiba o quanto dói, mas meu travesseiro sabe, porque é ele que fica encharcado de lágrimas quando a noite chega, é nele que bato e desconto toda a raiva que tenho. Talvez eu tenha me cansado de tanto fingir, e quando eu começar a falar tudo o que sinto, todas as dores e apertos no peito… Você perceba o quanto esses pequenos detalhes me afetam.
Amor é uma doença incurável, e a felicidade continua sendo o melhor tratamento.
Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida.
— Tati Bernardi
— Oi.
— Oi.
— Gostei do teu cabelo.
— Amei tua barba.
— Teu sorriso não é dos piores.
— Nem o teu.
— Tua voz é… mansinha.
— Teu olho é claro?
— Mais que o teu, disso tenho certeza.
— Mas os meus são pretos.
— E os meus azuis.
— Teus braços passam segurança.
— E teus seios conforto.
— Gay.
— Gorda.
— Pegou pesado…
— Eu sempre pego.
— Percebi.
— Já te amei.
— Também já gostei um pouco de ti.
— Ainda te amo.
— Tu é agradável.
— To dizendo que te amo.
— E eu que amo chocolate.
— Eu repeti que te amo.
— E eu vou repetir que amo chocolate.
— Chocolate engorda.
— E o teu amor machuca.